por: Julia Curan e Sarah Stutz

 

Dia 20/06 celebramos a chegada da Oppa na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro – Oppa CasaShopping – e propusemos um formato diferente de celebrar esse momento. Acreditamos que oferecer conteúdo é uma forma significativa de apoiar as novas ideias e projetos de parceiros e clientes afinal, aqui na Oppa somos movidos por elas!

 

A nossa parceira WGSN Mindset foi a responsável por elaborar e entregar esse conteúdo representada pela consultora Julia Curan, que apresentou um panorama repleto de exemplos quentíssimos em torno do tema do Novo Morar. E nós contamos os highlights para você aqui. Para Oppa, entender em novos formatos de “morar” é fundamental para entregarmos produtos que além de lindos encontrem e respondam às necessidades do usuário, afinal essa é uma das premissas do design.

 

Antes de se pensar nas casas é preciso pensar em seus habitantes.

Os moradores de uma casa são o que, normalmente, chamamos de família. A ideia tradicional de família, pai, mãe e filhos, mudou. Reflexo de circunstâncias sociais, econômicas e comportamentais. Assim, algumas pessoas estão se estruturando de um jeito diferente e novas configurações de famílias aparecem nesse processo.

 

A imagem de jovens adultos vivendo juntos em um apartamento já nos é bastante familiar.

Hoje, essa ideia continua e o número de jovens dividindo espaços com pessoas que não são de sua família cresce cada vez mais! A diferença é que a motivação para essa prática tem se transformado: não são mais os mais jovens que dividem espaços, pessoas com 30+  tem também adotado a prática.

 

Um exemplo brasileiro: A d’acasa é uma mansão de 700 metros quadrados no Cosme Velho, Rio de Janeiro.

A casa tem jardim, piscina, churrasqueira e nove moradores que decidiram experimentar a vida em uma casa compartilhada. Cada um tem seu quarto, enquanto copa, cozinha, sala, lavanderia e área de lazer são usadas por todos. As tarefas domésticas são divididas, assim como as contas de luz, água e gás. A maioria é formada, pós-graduada e bem-sucedida profissionalmente.

 

Esse estilo de vida é inspirado em um movimento nascido na década de 1970, na Dinamarca, oficialmente batizado como “cohousing” pelo arquiteto Charles Durrett, no final dos anos 80, na Califórnia. Bastante popular nos Estados Unidos e na Europa, essas comunidades urbanas começam a ganhar destaque no Brasil nos últimos 4 ou 5 anos – com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo.

créditos: Ana Branco / Agência O Globo

 

Outro exemplo dessa nova configuração familiar são as família multigeracionais dividindo o mesmo espaço.

Até o final do século XX, não era muito comum que famílias morassem em esquemas multigeracionais principalmente por conta da expectativa de vida que até então não permitia. De acordo com o Psychology Today, um jovem de 20 anos nos anos 2000 tem mais chance de ter sua avó viva que um jovem na mesma idade teria de ter sua mãe viva nos anos 1900.

 

No século XXI, os lares multigeracionais cresceram muito.

Com isso, surgem lares cada vez mais multigeracionais. A solidão é um problema frequente entre as pessoas mais maduras e especialistas afirmam que isso pode ser até duas vezes mais prejudicial à saúde do que a obesidade. Além disso, pesquisas indicam que muitas pessoas entre 18 e 34 anos são mais propensas a se sentirem sozinhas do que aquelas com mais de 55 anos. Pensando em agrupar os dois públicos, vemos surgir iniciativas de house sharing que buscam unir jovens recém formados com os mais velhos.

O Humanitas, da Holanda, é um dos pioneiros no assunto.

Créditos: http://www.upsocl.com/

 

Por último, pais e mães solo (criar um filho sozinho e não num contexto de casal, uma realidade cada vez mais comum) já são uma realidade em qualquer lugar do mundo.

A maioria deles vive somente com seus filhos em um imóvel só para eles. Entretanto, temos presenciado um movimento de pais solteiros que encontraram uma forma alternativa de morar: eles procuram outros núcleos familiares com uma formação parecida para dividir uma casa.

A CoAdobe se descreve como “Single mothers house sharing”. Essa é uma plataforma digital que funciona como uma rede social de mães solteiras. No website, elas podem se inscrever e criar o seu perfil, respondendo diversas perguntas relacionadas ao que buscam em alguém para dividir uma casa. A partir daí, a usuária pode navegar por outros perfis e buscar o “perfect match” para sua futura casa compartilhada.

 

Creditos: Thanasis Zovoilis/Moment/Getty Images – https://www.thespruce.com

 

Se as famílias per se mudam, os jeitos de morar mudam também.

Seja como as pessoas se comportam, seja como elas se relacionam com os ambientes e seus objetos. Assim algumas tendências despontam e desenham novas formas de morar. Aqui vamos aproveitar para ilustrar algumas delas que estão super em sintonia com a Oppa!

 

A primeira tendência chamamos de “No Boundaries”

Explicando: barreiras deixam de fazer sentido – tanto para relações pessoais quanto em espaços físicos. O design se volta para casas e peças modulares, que permitem espaços adaptados que podem mudar a todo o tempo. Paredes que separavam os espaços por função estão sumindo, resultando em espaços abertos e multifuncionais.

Um exemplo é a Casa NA do arquiteto japonês Sou Fujimoto, que tem vários níveis e quase nenhuma parede.

Créditos: © Iwan Baan

 

A segunda tendência chamamos de “ Empty Design”

Como reflexo de um estilo de vida que prioriza o que é essencial, o design também está abraçando o vazio como uma forma de oferecer uma pausa com abordagem clean e contemplativa.

No Japão, Fumio Sasaki é um minimalista que vive em uma casa praticamente vazia, tendo reduzido suas posses para três camisas, quatro pares de calças, algumas meias, uma caixa e um sofá cama. Ele até já escreveu um livro sobre isso, chamado Goodbye Things.

https://www.youtube.com/watch?v=t3cHb4wovpU

 

Outro exemplo é a busca pelo bem-estar físico, que vira prioridade e afeta também a indústria de interiores – os consumidores “clean eating” agora focam no “clean living”.

A capacidade de acompanharmos nossa saúde, ou o selftracking, chega agora no âmbito da casa. Aparelhos podem monitorar a saúde ou até ajudar a melhorá-la. 

O Clairy da Laboratori Fabrici amplifica a capacidades de purificação do ar que as plantas possuem naturalmente, cultivando o ar fresco em casa.

Créditos: https://productdesignaward.eu

 

Enquanto a população mundial continua a aumentar, o universo do design está voltando sua atenção para o desafio de como usar (e usar bem) os espaços.

Diferentes funcionalidades são combinadas a um mesmo produto e a arquitetura precisa se reprogramar para desenvolver e adaptar espaços cada vez mais compactos.

Um exemplo disso é a Ori, que deriva seu nome de “origami”, a arte japonesa de dobrar papel para criar objetos bonitos e notáveis. A tecnologia e o design da Ori criam ambientes dinâmicos que proporcionam uma flexibilidade maior para os espaços, fazendo de um mesmo espaço, vários ao mesmo tempo.

https://vimeo.com/216938984

 

Onde você mora hoje? E como vai morar daqui 20 anos? Qual será esse cenário? A gente deixa você com essa reflexão e a cabeça cheia de ideias :)